Entrevista com Mª Isabel R. Lima, autora do livro Economia Solidária e vínculos.

Por que decidiu escrever sobre esse tema?

A escolha desse tema adveio de minha prática profissional que me possibilita circular nos espaços da economia solidária e conhecer experiências interessantes que valem a pena registrar e publicitar. O ato de escrever não é simples, portanto, é importante que o tema desperte interesse e seja coerente com a forma de viver e ver o mundo, e, nesse caso, a economia solidária está em meu cotidiano, é com o que trabalho diariamente.

Outro aspecto que influenciou foi o fato da economia solidária ainda ser um assunto pouco conhecido, por isso se faz necessário mais divulgação e também publicações que abordem essa temática.

Busquei inovar ao pesquisar a relação dos vínculos com a economia solidária, pois grande parte dos escritos sobre esses, referem-se à vinculação mãe–bebê ou aos vínculos conjugais, não abordando essa perspectiva.

Quanto tempo demorou para que a obra estivesse pronta? Quais foram suas fontes mais relevantes de pesquisa?

Esta obra é resultado de uma pesquisa realizada durante o meu mestrado, considerando a pesquisa de campo, as pesquisas bibliográficas e a escrita propriamente dita, levei aproximadamente dois anos para conclui-la.

Utilizei muitas fontes de pesquisa, ao total foram cento e três referências citadas, mas destaco os autores: Antonio David Cattani, Paul Singer, David E. Zimerman e Christophe Dejours.

Em sua opinião, qual é a parte mais relevante ou especial?

Destaco os capítulos 2 e 3 que trazem o conceito sobre economia solidária e sobre os vínculos respectivamente, e o capítulo 6 que é onde ocorre a integração entre teoria e prática, contendo uma riqueza de informações e descobertas.

Qual é a principal ideia que o leitor terá quando acabar de ler o livro?

O(a) leitor(a) perceberá o quanto o trabalho coletivo, baseado nos princípios da economia solidária, pode provocar transformações nos vínculos familiares e sociais de quem se deixa envolver por essa forma de trabalho.

Qual público deseja atingir?

Imagino abranger um público diverso: educadores e militantes que atuam na área de economia solidária, docentes e alunos que queiram conhecer melhor esse tema. Assim como cooperativas e empreendimentos de economia solidária.

Alguns capítulos do livro tem um caráter mais didático que facilitam a compreensão sobre as características da economia solidária e sobre os vínculos sociais e familiares.

 Qual foi a vivência ou experiência que a fez escrever este livro?

O livro é resultado de uma pesquisa realizada em uma Cooperativa de Reciclagem – a Coolabore. Tive a felicidade de escolher essa cooperativa para me inserir durante o período de pesquisa, visto que me proporcionou uma vivência intensa ao conviver com os cooperados, ao desvelar sua dinâmica de trabalho e principalmente ao me deparar com a economia solidária viva e pulsante, capaz de transformar os vínculos familiares e sociais dos trabalhadores e trabalhadoras que dela fazem parte.

Em qual perspectiva olha o passado e o futuro da Economia Solidária?

A economia solidária surgiu devido às lutas dos trabalhadores diante de um cenário de desemprego, exclusão e domínio de classes, o qual incitou a buscar outras formas de trabalho e de relação com a sociedade.

Ao longo dos anos, o movimento da economia solidária passou a ter mais força e agregar mais pessoas que buscam gerar trabalho e renda praticando a autogestão, a solidariedade e a cooperação. A vivência desses princípios é que garantirá êxito às experiências de economia solidária. Tendo em vista que é preciso uma articulação entre os segmentos e também com as diversas políticas públicas que estão sendo implantadas no campo da economia solidária, para que além de visibilidade e reconhecimento, os empreendimentos (sejam eles, cooperativas, associações, grupos informais, empresas recuperadas etc.) também tenham sustentabilidade.

Qual é a importância da participação de Paul Singer em seu trabalho?

O professor Paul Singer é um ícone na temática da economia solidária, é reconhecido mundialmente por seus livros e pela sua trajetória neste campo.

O fato de ele ter elaborado o Prefácio do livro é de extrema importância, pois significa que ele avalizou essa publicação e viu importância no conteúdo apresentado.

Destaco que o Paul Singer foi a pessoa que mais me estimulou a publicar o livro, pois lhe fiz o convite para que participasse como professor da banca avaliadora no momento de minha defesa da dissertação e ele se fez presente, sendo que ao final sugeriu que eu transformasse em livro e publicasse.

Como trabalhar na incubadora de empreendimentos solidários lhe ajudou a escrever o livro?

Na verdade, foi ao contrário, o fato de eu ter escrito sobre o tema da economia solidária, abordando a reciclagem, foi um dos aspectos que contribuiu para o meu ingresso na Incubadora de Empreendimentos Solidários, visto que essa Incubadora trabalha com cooperativas de reciclagem. Desse modo, minha experiência adquirida somada à escrita do livro facilitam o meu trabalho nesta.

 

Em sua visão, qual é o maior benefício da Economia Solidária?

Em minha concepção, a economia solidária não é somente uma forma diferenciada de trabalhar, mas sim uma forma de viver.

Percebo muitos benefícios, que vão desde a preservação ambiental, até o cuidado e respeito para com as pessoas, promovendo a inclusão, a ajuda mútua, a troca de saberes e o desenvolvimento humano.

Enfim, a economia solidária é capaz de tornar a sociedade mais justa e solidária.

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