Entrevista com autor A Ética do Sentido da Vida Fundamentos Filosóficos da Logoterapia

1. Como se define Logoterapia?

A Logoterapia é uma escola de pensamento em Psicoterapia fundada pelo
psiquiatra e filósofo austríaco Viktor Emil Frankl. Trata-se de um método
terapêutico que compreende a luta pela realização constante do sentido da
própria vida como a motivação mais básica dos esforços humanos. Partindo de
uma antropologia personalista e multicompreensiva, Frankl criou um sistema
teórico que reconhece no homem, para além dos condicionamentos pulsionais,
sociológicos e genéticos, a liberdade de construir-se dignamente por sobre
essas formas de destino. Para ele, a tarefa da Logoterapia reside em
resgatar no paciente a consciência de sua responsabilidade perante a vida,
que passa a ser vista como uma missão personalíssima, uma tarefa
inalienável.

2. A Logoterapia é difundida no Brasil?

Frankl teve, em vida, uma relação muito especial com a América Latina. No
Brasil, por exemplo, ele é detentor de dois doutorados honoris causa: um
concedido pela PUC do Rio Grande do Sul, em 1984, e outro outorgado pela
Universidade Nacional de Brasília, em 1989. O legado de Frankl inspirou a
criação de diversas sociedades sobre logoterapia no país, tais como a SOBRAL
e a ALVEF. Há núcleos de referência na Paraíba, em São Paulo e no Rio Grande do
Sul. Acredito que o interesse pela Logoterapia vem aumentando no Brasil.

3. Quem foi Viktor Frankl?

Médico e doutor em filosofia, Viktor Frankl, certamente, foi um homem cuja
obra refletiu sua própria vida. Discípulo contestador de Freud e de Adler,
foi testemunha e personagem da História do século XX. Sabotou os esquemas de
eutanásia nazista, recusou-se a deixar a Áustria sem os pais após a anexação
de Hitler e foi prisioneiro e sobrevivente dos campos de extermínio alemães.
Após o fim da Segunda Guerra Mundial, resolveu permanecer em seu país, onde
continuou produzindo ativamente até o ano de sua morte, não sem antes ter
percorrido o mundo e presenciado sua logoterapia ser reconhecida globalmente
como um pensamento relevante e digno de aprofundamento.

4. Por que o senhor decidiu escrever sobre o tema?

Por mais que a Logoterapia venha crescendo em termos de estudo e divulgação
no Brasil, sempre senti falta de uma obra de fundamentação que buscasse
sistematizar suas principais ideias num corpo de referência. Daí a ideia de
escrever sobre os fundamentos filosóficos do pensamento de Frankl.

5. Quanto tempo o senho levou para que a obra ficasse pronta? Quais foram suas
fontes mais relevantes de pesquisa?

A obra foi concebida ao longo de dois anos, no mestrado em filosofia da
Universidade Federal do Ceará. Quanto às fontes de pesquisa, pensei ser
fundamental recorrer à própria letra de Frankl como recurso primário. Ao
longo do debate que o texto propõe, dialoguei, contudo, com comentadores de
renome, tais como Elisabeth Lukas, além de ter-me servido da obra de
Alasdair MacIntyre, Henrique Lima Vaz e Manfredo Oliveira para compor meu
argumento principal.

6. Qual parte é mais relevante ou especial para senhor da logoterapia?

Acredito que Frankl devolveu ao homem a dignidade de ser otimista diante do
caráter trágico da vida. Para mim, talvez, a mensagem mais relevante da
logoterapia resida na defesa de que nossa realidade ontológica não se esgota
na liberdade: somos responsáveis pelo sentido de nossas vidas e, em última
análise, pelo destino da própria humanidade.

7. Qual é o público que o senhor deseja atingir?

Penso que meu livro possa servir como auxílio para uma compreensão mais
rigorosa do pensamento de Frankl. Nesse sentido, acredito que ele venha a
ser útil tanto para os que já têm alguma vivência na área, quanto para
aqueles que querem tentar uma primeira aproximação com a logoterapia:
psicólogos, psiquiatras, educadores, filósofos, etc.

8. Qual foi a vivência ou experiência que o fez escrever o livro?

A ideia inicial que motivou a produção do livro diz respeito a uma
necessidade, que percebi em mim, de apresentar o pensamento de Viktor Frankl
por meio do modo sistemático como eu o concebo em minha vivência pessoal.
Isso se deve, da mesma forma, a uma insatisfação de minha parte para com as
diversas representações – muitas vezes, distorcidas – da mensagem da
Logoterapia. Muitos a identificam como uma seita religiosa legitimada
academicamente, outros a apontam como uma “psicologia teologizada”, ou, pior
ainda, como uma “teologia psicologizada”. Em Frankl, eu, particularmente,
sempre a entendi, sobretudo, como uma ética. Ética-vivida, por sinal, não a
partir da lacuna entre experiência pessoal e construção teórica, mas, sim,
no privilégio da vida enquanto força, não enquanto mero conceito. Nada mais
apropriado, então, do que apresentá-la como tal: “a ética do sentido da
vida”. Minha intenção, logo, foi a de destrinçar, sistematicamente, o
pensamento de Frank no intuito de explicitar como se pode conceber a
Logoterapia enquanto uma ética do sentido da vida, revendo-a, para tanto, no
cerne de sua fundamentação filosófica.

9. Qual é a principal ideia que o leitor terá ao acabar de ler o livro?

Acho que ficará ao leitor – ao menos, é o que espero – uma noção mais ampla
e sistemática a respeito dos vários aspectos que compõem o pensamento de
Frankl, desde a visão de mundo à visão de homem, passando pela problemática
ética que perpassa todos esses temas.

10. Qual foi o processo para reunir todos os pensamentos que estão em seu
livro?

Basicamente, tratou-se, de um esforço de sistematização particular da obra
de Frankl, buscando analisar, em seus escritos, o forte conteúdo ético
implicado no cerne de seus argumentos.

11. Qual é a importância da antropologia para a logoterapia?

Frankl sempre deixou claro que qualquer psicoterapia se desenrola num
horizonte apriorístico, asseverando que qualquer escola psicoterápica há de
ter como base uma concepção antropológica e uma filosofia de vida, por mais
implícitas que sejam. A antropologia de Frankl pode ser vista como a pedra
angular de seu projeto terapêutico, integrando aquilo que chamou de seu
“credo psiquiátrico”: a crença no poder de obstinação do espírito humano,
que pode fazer frente a qualquer morbidade psicofísica.

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