Entrevista com Jöel Thrinidad, autor do livro “Mente Aberta & Coração Tranquilo”


Por que decidiu escrever sobre o tema?

O livro surgiu da necessidade de abordar um tema tão comum nos dias de hoje: Qualidade de vida no trabalho.

Como sou um executivo com uma vida cheia de obrigações e compromissos, vejo a vida de muitos executivos parecida com a minha, com seus planos pessoais comprometidos pelos planos profissionais, excedendo as horas trabalhadas, com pressões para atingir metas, preocupações com a carreira. Isso tudo vai minando a cabeça e provocando sentimentos adversos, sem ter uma válvula de escape, comprometendo a saúde do executivo devido a essa rotina caótica. Convivo com profissionais que chegam a trabalhar até 17 horas por dia. Nos finais de semana, reuniões intermináveis paralisaram sua vida pessoal. Assim, carregam a profissão como um grande fardo nas costas. Daí a necessidade de falar sobre a qualidade de vida no ambiente de trabalho que reflete na saúde e na própria satisfação do trabalhador.

Qual é a principal ideia que o leitor terá ao acabar de ler o livro?

Ao contrário dos livros de administração, que incentivam o trabalho dobrado para que os executivos possam se tornar líderes perfeitos e profissionais mais rentáveis para as empresas, e os de autoajuda, que sobrecarregam o leitor de uma melancolia sem fim, por não conseguirem reverter os problemas a seu favor, o livro “Mente Aberta & Coração Tranquilo” tem a proposta de falar dos bastidores da vida desses executivos, e expressar a realidade diante dos problemas e das adversidades. Como lidam com a competitividade e ética, carreira e família, sucesso e solidão. Temas pouco abordados pelos livros nos dias de hoje.

O livro é resultado de uma tese ou de um estudo?

O livro é resultado de uma pesquisa realizada há dois anos sobre a angústia da vida executiva, liderada pela psicóloga Betania Tanure e sua equipe, que resultou no surpreende índice de insatisfação em relação à vida profissional, apontando que 84% dos executivos são infelizes no trabalho; 76% deles acessam e-mail profissional fora do horário de trabalho; 58% acham que os cônjuges estão descontentes com o ritmo excessivo de trabalho deles; 55% vivenciam uma mudança radical no trabalho; 54% estão insatisfeitos com o tempo dedicado à vida pessoal; e 35% apontam problemas com o chefe como a crise mais marcante de suas vidas. Em cima dessa pesquisa, adicionei a qualidade de tempo que os executivos se dedicam ao descanso e ao próprio interesse pessoal e as entrevistas diretas com 50 executivos que participam no livro ativamente.

4) Ao escrever o livro, pensa em atingir algum público específico? Qual?

O público-alvo são gestões de RH voltadas para a qualidade de vida dos profissionais, assim como os próprios executivos, sendo eles veteranos ou aspirantes à carreira executiva, que chegam à empresa como trainees, estagiários e desenvolvem o sonho de terem uma carreira promissora e aparentemente feliz, como a de seus gestores. E também a todas as pessoas que possuem interesse em compreender os bastidores de uma vida cheia de cobranças e resultados, como expectadores, sendo esposas, filhos, pais, e a qualquer pessoa que tenha de lidar com um ambiente composto por uma ou mais pessoas.

Quais são as principais diferenças entre o antigo executivo e a nova geração de profissionais na área?

Em comparação com o passado, em que havia um incentivo natural para atividades repetitivas, eliminando do funcionário o ato de pensar, em que a relação com o chefe era totalmente conservadora, sendo o chefe a única pessoa constituída de opinião e veto, não levando em consideração a inteligência, as emoções, a afetividade, a criatividade e a espontaneidade dos profissionais, o advento da tecnologia trouxe a forma de compartilhar informações, de integrar pessoas e de polarizar até a pressão, que passou a ser democratizada. Hoje, o peso vai tanto para o de cima, quanto para o debaixo e ambos sofrem com os prazos, com as metas e com a balança comercial lá do Japão. Hoje, os escritórios são mais práticos, versáteis, funcionais e com hierarquias cada vez mais horizontais.

Passamos então a contar com profissionais de RH para ajudar na conscientização de gestores e líderes sobre o lado humano dos profissionais, complementando com apoios na profissão, coaching, qualidade de vida e projeção de carreira.

Por que associar qualidade de vida com vida pessoal e profissional pode ser produtivo?

Porque a combinação de fatores positivos, como família, amigos, planos pessoais, prática de esportes e uma vida mais saudável, resulta em um profissional mais satisfeito com seu trabalho, com sua carreira, empenhando-se para produzir com mais eficácia, melhorando sua autoestima, reduzindo as abstenções ao trabalho, com menos problemas que atinjam o psicológico, tão comumente tratado como depressão, crises, e síndromes que polarizam as mentes mais sábias e estratégicas presentes em toda organização. Mentes estratégicas sãs, negócios sãos.

7) Qual foi a vivência ou experiência que o fez escrever o livro?

São 15 anos de experiência na área executiva estratégica dentro de organizações multinacionais, ampliados pela vivência em diversos países, com novos desafios, com todos os modelos de profissionais possíveis. Desde os mais retraídos e desconfiados, aos despojados e ávidos por novidades. De lideranças a resultados, a vida corporativa é delineada em escalas e, ainda que o mundo mude, a convivência entre pessoas tão distintas e divergentes não muda, portanto o interesse em expor tanta diversidade no mesmo ambiente produtivo e desafiador.

A que os novos profissionais devem estar antenados para ter sucesso na carreira?

Precisam entender que estar atualizados e qualificados o farão competitivos em qualquer circunstância. Sai o profissional promovido por anos de empresa para dar lugar a um modelo mais novo, arrojado, com facilidade para adaptar-se às mudanças, ligeiro nas informações e com os olhos focados no futuro.

Qual trecho o senhor acha que será mais interessante para o leitor?

O executivo de hoje compreende as mudanças pelas quais o mundo corporativo passa, entende a chegada das novas gerações e percebe a evolução que terá de manter para não ficar para trás e isso ajuda a perceber que não só o trabalho faz parte de seu dia a dia, mas também as alianças que forma com cada pessoa que divide com ele o objetivo de cumprir o que é esperado, sem deixar de viver os laços afetivos, sociais e familiares que fazem parte desse profissional do futuro.

Como se tornar executivo em um mundo tão estressante e ter qualidade de vida?

A vida executiva é tão desafiadora como qualquer profissão que exceda as paredes do escritório. Em cada profissão, faz-se necessária uma dose de dedicação, disciplina, foco e prudência de não ir além do permitido. Lidar em um ambiente que cria em nós um misto de sentimentos não é fácil. Talvez seja este o desafio: conseguir ultrapassar todas as barreiras e percalços, fazendo o maior número de aliados possíveis, ainda que em algumas vezes seja tão difícil ser ético e ser competitivo, visando que dentro das empresas o vilão é que é promovido, enquanto o mocinho é dispensado, independentemente dos resultados que tenha alcançado. Por mais injusto que possa ser, os resultados compreendem a vida de muita gente que de decisão em decisão conquista o mundo.

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4 respostas para Entrevista com Jöel Thrinidad, autor do livro “Mente Aberta & Coração Tranquilo”

  1. Pamela Moraes disse:

    O livro retrata a vida atual do executivo que pode ser profissional sem fugir do humanismo, exigente sem esquecer de ser justo, competitivo, sem ser superior. Afinal… na globalização o que funciona num ambiente de trabalho é a comunicação integrada que evita ruidos e promove a união e o crescimento.

  2. Alessandra P. Valente disse:

    Me surpreendi muito lendo o livro “Mente Aberta & Coraçãõ Tranquilo”. De uma forma muito clara e atraente o autor fala com tanta propriedade sobre o mundo corporativo que dá gosto de continuar a leitura por facilitar identificar em cada trecho, um cenário pelo qual tenha passado. Recomendei aos meus alunos e amigos do curso de Administração e Direito.

  3. Pedro Henrique Villas Boas disse:

    É incrível como Jöel Thrinidad conseguiu traduzir em palavras o cenário por onde trafega inúmeros executivos até a realização profissional, abordando temas ocultos em qualquer livro de administração como solidão, arrependimento, competitividade e sucesso. Uma obra prima que merece ser lido por todo aspirante à carreira executiva

  4. Claudio Ventura disse:

    Um dos melhores livros corporativos que já li nos últimos meses. Claro, objetivo e coerente, o livro se tornou uma referência para as discussões em grupo no escritório, nos fazendo observar com muita propriedade as vantagens e as desvantagens da vida nas organizações.
    Recomendável!

    Claudio Souza Ventura
    Gerente de Relações Institucionais – Visa

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