Entrevista com o Roberto Girola, autor do livro Perguntas a um Psicanalista

Por que decidiu escrever sobre o tema?

Existe certo preconceito nos meios psicanalíticos sobre a necessidade e a possibilidade de se “divulgar” a experiência do inconsciente fora do setting analítico. Não concordo com essa opinião e acredito que o inconsciente está presente no dia-a-dia das pessoas e que a percepção de suas “atuações” é fundamental para que possamos pelo menos “desconfiar” de sua existência, mesmo que somente o processo analítico nos permita entrar em contato emocional com a sua complexa realidade.

 Qual é a principal ideia que o leitor terá ao acabar de ler o livro?

À diferença do primeiro livro “A Psicanálise cura?”, que é uma introdução à Teoria Psicanalítica, Perguntas a um não é monotemático. Por ser composto de vários textos que nasceram de perguntas dos leitores de um jornal, aborda diferentes temas, relacionados à vida cotidiana ou, em alguns casos, à complexidade do viver contemporâneo. Creio que ao completar sua leitura o leitor perceberá que o inconsciente transpassa o nosso cotidiano de várias formas e torna impossível pautar a nossa existência em uma visão reduzida do mundo e dos outros.O livro é resultado de uma tese ou de um estudo?

Sem dúvida o llivro é reusltado de muitos anos de estudo e do atravessamento da teoria psicanalítica pela experiencia clínica com os meus pacientes, meus grandes mestres.Ao escrever o livro, você pensa em atingir algum público específico? Qual?

À diferença do primeiro livro de teor mais acadêmico, Perguntas a um psicanalista se destina ao grande público. Embora escrito em linguagem acessível à maioria das pessoas medianamente instruídas, não é um livro de autoajuda. Evitei com cuidado a expectativa do leitor que pedia “conselhos”. Meu objetivo foi ajuda-lo a “pensar”, no sentido de ampliar sua percepção da realidade externa e do seu mundo interno.

 Ao escrever ‘pequenos capítulos’ em que o leitor não necessita ler em uma ordem, o Sr teve preocupação de escolher ou organizar por alguma prioridade?

Não existe uma prioridade, e nem uma ordem. Aconselho que o leitor siga sua intuição e leia o que o seu inconsciente sugere naquele momento. Uma espécie de livre associação fora do setting analítico.

 Já no início o Sr fala da simplicidade de leitura psicanalítica. Qual é a importância de quebrar o paradigma que esse tipo de leitura deve-se ter um alto nível de conhecimento?

Recentemente Maria Rita Kehl publicou um texto sobre a desnecessidade de escrever de forma complexa. Trata-se de uma elitização desnecessária do saber, que apenas satisfaz o ego do autor. Escrever torna-se de alguma forma o seu “gozo”. Escrever é uma forma de comunicação é uma ponte que é lançada entre o emissor de uma mensagem e o seu receptor. Obviamente no mio desse caminho acontecem vários fenoômenos como ensina a Teoria da Comunicação, mas não por isso devemos complicar ainda mais o que já por si só é comomplicado, pois onde duas pessoas se encontram, quatro estão presentes (o autor, seu inconsciente, o leitor e o seu inconsciente).

 Todos os casos apresentados são verdadeiros?

Sim os casos foram extraídos de minha experiência clínica ou de minha experiência pessoal.

 Quanto tempo foi troca pergunta em respostas no jornal de circulação nacional para que o senhor tivesse vontade de escrever o livro?

Mais de cinco anos. A ideia de publicar o livro foi do meu filho que por um bom tempo me ajudou a revisar os textos antes de enviá-los para o jornal. Um belo dia me disse: “Pai acho que esses textos podem ajudar muitas pessoas porque não os publica em forma de livro?” Ele mesmo me ajudou a selecionar os textos que ele achava mais interessantes e acessíveis.

 O Sr acha que a leitura já é suficiente para ajudar um paciente/leitor a resolver o seu problema?

Não, mas acredito que possa ajuda-lo a buscar a ajuda de um profissional se for o caso e a evitar de olhar superficialmente para os seus problemas.

Qual é parte do livro que o Sr mais gosta ou acha importante? Tem alguma parte curiosa que se deve ter mais atenção?

Prefiro não condicionar o leitor, pois quero que cada um se sinta à vontade para “brincar” com os textos da forma que melhor se adaptar às suas necessidades.

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