Entrevista com o autor Claudio Ramirez do livro Bullying – Eu Sobrevivi!

Ao longo de sua vida, você conheceu outras pessoas gagas ou leu algum livro semelhante ao seu? Compartilhar experiências é uma boa?
Além da minha própria experiência, praticamente não convivi diretamente com outros gagos, passaram por minha vida algumas pessoas com dificuldades de fluência, mas não propriamente uma gagueira como a minha, nunca encontrei um titulo referente ao tema e acredito que divulgar estudos e experiências ajudariam a enfrentar esse problema.

Qual público você pretenda atingir?
Principalmente aqueles que portam dificuldades encaradas como deficiências pela sociedade e todos aqueles que convivem direta ou indiretamente com ele, também é muito importante que as pessoas aprendam a se relacionar com suas diferenças.

O livro serve de exemplo geral ou apenas para pessoas que vivenciaram suas experiências?
Toda a sociedade busca como primórdio harmonia de convivência, esta harmonia passa não só por aceitar uma ou outra diferença, mas tudo aquilo que na diferença enriquece os relacionamentos, esta falta de aceitação é a responsável pelo fenômeno que hora denominamos bullying.

Como você acha que crianças ou jovens gagos reagirão à leitura do seu livro?
Acredito que minha historia como gago, tenha semelhança com a historia de outros gagos, e ao ver esta semelhança deve identificar-se com varias das situações e estratégias por mim vividas e usadas ajudando a compreender nossos limites e encorajar estratégias de aceitação, elevando auto-estima.

Qual a sua expectativa de recepção do seu livro por parte de professores, mais acostumados com o gênero acadêmico e didático.
O comprometimento é fruto do conhecimento, quero que os professores conheçam minha historia e assim transportá-las para suas atividades identificando situações de bullying e agindo de forma mais assertivas, podendo justificar debates e ações para o assunto.

Quais a principais medidas que deveriam ser adotadas nas escolas, para que os gagos tivessem uma rápida melhoria na sua qualidade de vida?
Tomando a gagueira como limitação, o respeito a limitação do outro é fundamental, mas não basta respeitar sem dar oportunidade de crescimento, é necessário criar espaços onde os limites sejam expostos sem medo ao ridículo e discutir os limites de cada um.

Nos anos de atuação como professor, você já se deparou com um aluno gago? Como foi estar do outro lado?
5% da população brasileira tem algum grau de gagueira, aproximadamente 2 milhões, já tive na minha sala um gago, o conhecimento e a vivência que eu tenho do assunto me levou a uma atitude de naturalidade, sempre deixando claro que minhas expectativas para com ele não eram diferente dos demais alunos, para isso criei e dei oportunidade para ele se expressar no seu tempo e no seu ritmo, assim os outros alunos aprenderam a respeitar o diferente, acredito que em parte isso me impulsionou a escrever, para que o gago não pense que é portador de um problema raro ou insuperável.

Atualmente, fala-se muito em inclusão e diversidade no mundo do trabalho, alguns grupos sendo beneficiados por cotas. Você sente que a gagueira é tratada de forma apropriada neste universo? Sugestões?
Em alguns países a gagueira é tratada como P.N.E. (portador de necessidades especiais), mas no Brasil ainda não há apoio legal, assim sendo em muitos cargos onde a fluência não é empecilho (cargos operacionais) aparecem barreiras impostas pela falta de conhecimento do assunto e percepção errada.

Não sei definir se incluir a gagueira com P.N.E. ajudaria ou não, isto requer um debate aberto com a sociedade e principalmente com os gagos.
Gagueira tem cura? Qual o melhor tratamento para a gagueira? É médico, psicológico ou “humanista”?

Os estudos atuais ainda não são totalmente conclusivos, mas indicam para vários fatores, emocional, psicológico, hereditário e tudo aquilo que possa influenciar o momento da fala, portanto cada caso deve ser tratado com o individualismo necessários e procurando os respectivos profissionais, mas o mais importante é tornar publico este tema para a aceitação de forma natural da gagueira, isso tira imediatamente o gago da condição de limitado e elevando sua auto estima.
Minha experiência é de que a maturidade cronológica e estudos do assunto ajuda a controlar a gagueira.

O que os pais de uma criança ou jovem gago devem fazer ao perceber que seus filhos estão manifestando a gagueira? (incluindo a comunicação disso aos outros irmãos)
Muitas vezes no aprendizado da fala a gagueira aparece momentaneamente, os pais devem tratar com normalidade e orientar todos os que convivem com a criança agir igual, caso esse período se estenda devem procurar orientação profissional.

Na minha experiência pessoal a valorização exagerada de minha gagueira ajudou ainda mais na fixação da mesma.
O que os irmãos de uma criança ou jovem gago podem fazer na escola e nos ambientes de lazer, para ajudar os irmãos a superarem o estigma?

Em qualquer situação o apoio dos integrantes da família é fundamental, apoio não requer super proteção nem mimos, permitindo enfrentar as próprias dificuldades, mas estar atentos as possíveis agressões e quando for necessário comunicar a um adulto, de quem se espera uma atitude responsável.
Você assistiu ao filme vencedor do Oscar de 2011 O Discurso do Rei (que trata da gagueira do herdeiro do trono britânico)? O que achou da abordagem de sua gagueira?

Após ter assistido o filme senti que o tema toma pela primeira vez o rumo certo, minha identificação tanto com o tema, como com as atitudes tomadas pelo ator, foram de uma proximidade tão real que podia projetar minha vida naquela situação, este filme deveria ser usado pelos professores, não só pela gagueira mas para toda e qualquer situação de descriminação.
A conclusão dada pela superação do ator fecha de forma a proporcionar ao gago a esperança de aceitação necessária.

Qual é a maior lição que você pretende levar com a leitura do livro?
Respeito é a palavra chave, o respeito nos impulsiona na direção do próximo, assim como eu encontrei pessoas que neste livro eu chamo de ressuscitadores, devemos estar atentos e disponíveis para ajudar a todos na suas dificuldades.

Enquanto houver o desejo de superação, haverá esperança de dias melhores para todos, porque há pessoas que amam o poder, e outras que tem o poder de amar.

Qual é a dica para se enfrentar situações de Bullyng?
Quando a agressão cai na normalidade sem o poder de nos indignar, estamos compartilhando com a raiz do bullying, devemos estar atentos primeiro com nós mesmos, depois com todos os que estão ao nosso redor e intervir assim que detectar qualquer possibilidade de bullying.
Dicas: Não tentar resolver sozinhos – Contar para os pais ou pessoas de confiança – Pedir apoio e compreensão – Pedir para o professor debates – Não se sentir culpado – Treinar como responder – Manter a calma e tentar não demonstrar medo.
Quero aproveitar para agradecer o espaço para esta entrevista, espero ter ajudado com minhas respostas e aproveito ainda a agradecer a clareza e objetividade das perguntas elaboradas.

Contato com o autor:

www.profclaudioramirez.blogspot.com

Sobre o autor:

Ramirez chegou ao Brasil em 1976. Brasileiro naturalizado, Pós-graduado em RH pela Fecap, cursou a Universidade Metodista de Piracicaba, São Paulo, com licenciatura plena em Educação Física. Recebeu o diploma de Espanhol como língua estrangeira pela Universidade de Salamanca. Fez Curso de PNL (Programação Neurolinguística) e diversos outros cursos na área de educação.
Professor de Gerenciamento e Liderança, Relações Interpessoais, e Jogos Empresariais. Ministra também Palestras e Cursos de Desenvolvimento e Motivação Pessoal, Liderança, Formação de Times, Atendimento ao Cliente e Comunicação.

Nicolau Kietzmann Goldemberg
DGNK Assessoria de Imprensa
11-3070-3336
11-8273-6669
nicolau@dgnk.com.br
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http://www.editorasantuario.wordpress.com
http://www.editoraideiaseletras.wordpress.com

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4 respostas para Entrevista com o autor Claudio Ramirez do livro Bullying – Eu Sobrevivi!

  1. joao paulo leite disse:

    o claudio é um exemplo de superação ,fui aluno dele ,sou gago e nunca consegui assumir minha gagueira

  2. miriam feitosa Camacho Leiguez disse:

    Que linda historia linda de superação.Acho que o conheci uma vez ele veio em Corumbá-MS para uma conferencia de jovens foi maravilhoso os jovens ficaram apaixonados por ele.Parabéns Quero comprar o livro como faço?

  3. Luana disse:

    Um ser humano incrivivel, e um autou especial… Parabéns querido Amigo..

    Luana (Aluna Fatec)

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